PERSONA CONTEMPORÂNEA

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Marcelo Spalding - Mestre em Literatura Brasileira

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O Selo Persona Contemporânea homenagea – a cada edição – um profissional que destaca-se na literatura, nas artes, na cultura ou no entretenimento virtual. Por sua contribuição peculiar e reveladora.


Nesta quarta edição  O Persona Contemporânea contempla o Professor e escritor MARCELO SPALDING por seu relevante trabalho com a  Literatura Virtual.

Marcelo Spalding é formado em jornalismo e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS, professor da Oficina de Criação Literária da Uniritter, editor do portal Artistas Gaúchos, autor dos livros ‘As cinco pontas de uma estrela’, ‘Vencer em Ilhas Tortas’, ‘Crianças do Asfalto’, ‘A Cor do Outro’ e ‘Minicontos e Muito Menos’, membro do grupo Casa Verde e colunista do Digestivo Cultural. Recebeu o Prêmio AGES Livro do Ano 2008 pelo livro ‘Crianças do Asfalto’, categoria Não-Ficção, e o Prêmio Açorianos de Literatura em 2008 pelo portal Artistas Gaúchos.


O Hiperconto


“Depois de escrever a primeira dissertação sobre minicontos do Brasil, em meados de 2008 resolvi mudar meu objeto de estudo acadêmico e passei a investigar de que forma a literatura está ou estará presente na internet. Dessa forma, mais do que pensar no fim do livro, volto meu olhar para a permanência da literatura seja na mídia que for. Mas foi apenas em meados de 2009, depois de ter estudado as tentativas de romances colaborativos e principalmente os ciberpoemas, que comecei a trabalhar com o termo hiperconto, um termo aparentemente jamais utilizado em estudos literários ¹. Minha proposição inicial é que o hiperconto é uma versão do conto para a Era Digital. Sendo ainda um conto, de tradição milenar, requer narratividade, intensidade, tensão, ocultamento, autoria ². O texto, naturalmente, ainda deve ser o cerne do hiperconto, preservando seu caráter literário. Mas um bom hiperconto será capaz de aproveitar as ferramentas das novas tecnologias para potencializar a história que conta da mesma forma que os livros infanto-juvenis, por exemplo, têm se utilizado da ilustração.

Imagens, em movimento ou não, áudios, hiperlinks, interatividade e quebra da linearidade são apenas algumas das possibilidades do hiperconto. Claro que um bom hiperconto não precisa utilizar todos esses recursos ao mesmo tempo, assim como há filmes belíssimos sem efeitos especiais. Mas também não podemos deixar de perceber que um conto de Borges simplesmente digitado e publicado na internet não passará a ser um hiperconto ou um exemplo de literatura digital apenas por estar na internet, e sim continuará sendo um belo conto de Borges.

Enfim, o conceito ainda está apenas se esboçando, e por isso criamos esse site. Crie hipercontos e envie seu endereço para nós, acesse nossos hipercontos, comente em nosso mural. Quem sabe não estamos diante de um novo e possível gênero para fazer par ao ciberpoema e firmar a literatura na Era Digital.”

Marcelo Spalding


¹ foram realizadas buscas com o termo “hiperconto” na Plataforma Lattes, no Catálogo Online da Biblioteca da UFRGS, na Wikipedia e no site da Livraria Cultura e em nenhuma delas o termo é sequer mencionado. Já para “ciberpoema” ou “ciberpoesia” encontramos 14 referências no Lattes, um livro na Cultura, uma referência na Wikipedia e 6 registros na Biblioteca da UFRGS. Pesquisa realizada no dia 20 de setembro de 2009.
² a questão da autoria, no hiperconto, deve ser entendida de forma diversa da que estamos acostumados na literatura. Aqui o autor é o que no cinema chamamos de diretor, aquele que concebe a obra, por vezes escreve seu roteiro e coordena uma equipe de profissionais capazes de tornar possível a obra.

Fale com a Contemporânea e participe da indicação para o próximo Selo Persona Contemporânea

simonealcosta@gmail.com

parceriacontemporanea@gmail.com





  1. Bem, Simone, leitores, eu tinha de escrever, inevitável. Ao menos para dar o ar da graça, e a graça da gratidão pelo reconhecimento. Um espaço tão ágil e saudavelmente febril, criativo como este, e logo eu, na arrancadam ganhar o epíteto de “Persona Contemporânea”, puxa… Fiquei mais bobo do que já sou. Espero que não tenham notado.

    Abraços do leitor e parceiro.

  2. Simone, de onde você tirou esse cara? A literatatura brasileira atual revela cada um. Esse é mais que um, único. Originalíssimo, ser mergulhado até o fundo (Vinte Mil Léguas Submarinas?) do mar verbal onde a palavra surpreende de tudo que é jeito. Aliás, ele leva jeito.

    Beijos e parabéns pela revista.

  3. Sou viciada em sites culturais, mas não em sites assim, que tratam a cultura como numa sala de visitas, todo mundo pouco à vontade. Aqui o escritor que declara seu imenso amor à palavra declara, ao mesmo tempo, seu imenso amor à vida. Como este site. Palmas para a Simone e o Paulo. Estão começando muuuuito bem!

  4. Este texto deixa a gente sem chão. Ou melhor, com mais chão. E mais oxigênio para respirar. Muda o mundo, muda a literatura. É de ficar espantada. E voltar e reler tudo de novo.

  5. Oi Simone

    Entrei na sua revista e fiquei de boca aberta com sua proposta e iniciativa. Muito bacana e diferenciada.
    E claro, fiquei honradíssimo de você me colocar como homenageado. Adorei a menção.

    Saudações contemporâneas e um abraço,

    Paulo Baroukh

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CARTA AO LEITOR

Feliz ou infelizmente ninguém chega a uma certa idade sem passar pela dor e pelas perdas.

Morremos e renascemos a cada exposição à dor e fragilidade. Muitas obras e alguns estudos suscitam destas perdas e ganham forma. Renato Russo é um exemplo de artista que tem em sua obra a marca de dores e da experiência com a melancolia – culminada por uma morte quase suicida, é sobre ele nossa matéria de capa. No ano em que faria 50 anos Renato está cada vez mais presente no inconsciente coletivo – não apenas de sua geração – mas na contemporaneidade.

No Dica Curta desta edição o Músico e Professor de Literatura José Miguel Wisnik relata a dimensão aérea da palavra resultante da melancolia. Sua palestra – “Se o meu mundo caiu eu que aprenda a levitar” – proferida no Programa Café Filosófico, traça uma analogia entre melancolia e arte.

Maria Emilia Genovesi, apostando no amor, mergulhada na reflexão de que “Amar transcende os conceitos humanos da sabedoria moderna”, sai da melancolia e revela sua criatividade e amor a vida.

Nosso convidado especial Walter Rabello, trás para o Artigo Definido – diretamente de Nova York, a angústia melancólica de ver a espera da “mulher que espera embaixo da ponte”.

E você?

O que está esperando?

Boa Leitura,

Simone Costa – Editora

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